Prof. Dr. Denilson Luís Werle

Pluralismo, tolerância e democracia.

O objetivo geral da pesquisa é examinar como foram sendo desenvolvidos na filosofia política moderna e contemporânea diferentes justificações filosóficas para a questão dos limites da tolerância e, conseqüentemente, diferentes concepções de legitimação das formas e do exercício do poder político. A pesquisa será desenvolvida em três etapas: (a) reconstrução dos principais argumentos a favor da tolerância desenvolvidos pelo autores clássicos da filosofia moderna, com uma análise mais detalhada das reflexões de Pierre Bayle e das contribuições liberais de John Locke e Stuar Mill. (b) A partir dessa reconstrução, mostrar como pode ser formulado um conceito de tolerância – caracterizado por três componentes fundamentais: objeção, aceitação e rejeição – que vai adquirindo diferentes conteúdos e configurações, o que nos permite falar de diferentes concepções de tolerância justificadas por uma série de diferentes razões (religiosas, pragmático-políticas, éticas, deontológico-morais). O objetivo dessa etapa é analisar a tolerância no conflito (expressão usada por Rainer Forst) examinando como, no interior dos processos de racionalização do poder político e de formação da consciência moral moderna, se desenvolveram diferentes concepções de tolerância : a concepção permissiva ou condescendente [Erlaubnis-Konzeption]; tolerância como coexistência (Koexistenz-Konzeption); como respeito moral (Respekt-Konzeption) e como valorização e estima (Wertschätzungs-Konzeption). Essa concepções apontam para diferentes formas de justificação pública e de legitimação política dos limites da tolerância. Portanto, para diferentes formas de entender a relação política nas democracias constitucionais modernas. Nesse sentido, num terceiro momento da pesquisa (c) trata-se de analisar como a questão dos limites da tolerância é retomada na filosofia política contemporânea no contexto do debate entre liberais e comunitaristas sobre os fundamentos de uma concepção liberal igualitária de cidadania democrática.